
Atualizado em 19 de outubro de 2026 · 9 minutos de leitura
Chega da escola e vai direto para o quarto. De repente, não quer mais ir ao aniversário de uma colega. Toda segunda-feira reclama de dor de barriga. Pode ser um dia ruim, uma briga que passa amanhã ou algo que já dura semanas. Este guia ajuda você a perceber a diferença e a acompanhar com calma.
Em resumo:
Violência escolar é qualquer agressão física, verbal, sexual ou psicológica que acontece na escola, no trajeto de ida e volta ou nos grupos da turma. O bullying é uma forma de violência que se repete, é intencional e acontece entre quem tem mais poder e quem tem menos. Uma discussão pontual entre iguais não é bullying, mesmo que doa.
| Conflito comum | Bullying | Violência grave | |
|---|---|---|---|
| Como é | Discussão, raiva, mal-entendido entre iguais | Zoação, xingamentos, exclusão ou agressões que se repetem | Agressão física séria, ameaças, armas, abuso |
| Quanto dura | Se resolve em dias | Semanas ou meses | Um único episódio já basta |
| O que fazer | Escutar e ajudar a resolver | Falar com a escola e pedir as medidas previstas | Proteger, avisar a escola e acionar a emergência se houver risco |
Chamar as coisas pelo nome ajuda nos dois sentidos: não se alarmar com cada briga e não minimizar o que se repete. Nas conversas de WhatsApp das famílias que usam o Xoul, as duas coisas aparecem em proporções bem diferentes.

Para cada sinal de bullying, o Xoul registrou 63 sinais de conflitos do dia a dia: discussões, chateações e mal-entendidos que costumam se resolver sozinhos. Saber diferenciar ajuda você a acompanhar sem se alarmar e a agir quando realmente é preciso.
Sinais registrados pelo Xoul em conversas de WhatsApp, agosto e setembro de 2026. n = 50.675 sinais de conflito do dia a dia e 805 de bullying.
É. Segundo a PeNSE 2024 do IBGE, 27,2% dos estudantes de 13 a 17 anos sofreram bullying de colegas duas ou mais vezes no mês anterior à pesquisa, contra 23% em 2019. No mundo, a UNESCO estima que quase 1 em cada 3 estudantes sofreu bullying no último mês.
| O que a pesquisa mediu | Resultado | Fonte |
|---|---|---|
| Sofreram bullying de colegas da escola duas ou mais vezes nos últimos 30 dias (13 a 17 anos) | 27,2% (era 23% em 2019) | IBGE, PeNSE 2024 |
| Meninas e meninos, mesmo indicador | 30,1% e 24,3% | IBGE, PeNSE 2024 |
| Se sentiram ameaçados, ofendidos ou humilhados nas redes ou em aplicativos nos últimos 30 dias | 12,7% (cerca de 1 em cada 8) | IBGE, PeNSE 2024 |
Os indicadores medem coisas diferentes e não devem ser somados.
O que acontece na sala de aula muitas vezes continua no celular: os grupos da turma são parte da vida escolar. Por isso, quando há bullying presencial, vale olhar também o que está acontecendo no WhatsApp.
Raramente a criança chega em casa dizendo “estão fazendo bullying comigo”. O que costuma aparecer são mudanças que duram: não querer ir à escola, dor de cabeça ou de barriga antes da aula, dormir mal, notas caindo sem explicação, parar de falar dos amigos, objetos que somem ou voltam quebrados, ou uma mudança brusca no uso do celular.

Alguns sinais concretos, com base no Bullying No Way, um portal contra o bullying mantido pelos governos da Austrália na área de educação:
Um sinal sozinho não prova nada: é um motivo para conversar. Se você notar vários juntos e eles se mantiverem, vale procurar a escola.
O que pode aparecer no Xoul. O Xoul não mostra as mensagens do seu filho ou da sua filha: mostra como ele ou ela está. Se nas conversas de WhatsApp houver sinais de zoação, xingamentos ou de que ele ou ela ficou de fora de um grupo, isso pode aparecer no relatório ou nas Novidades, com uma sugestão de como acompanhar. Não é um aviso imediato nem em tempo real, e o Xoul não analisa imagens: só o texto e os áudios das conversas.

Acontece mais do que se imagina. Em boa parte dos sinais de bullying que o Xoul registra, a criança ou o adolescente aparece participando da zoação ou num grupo que exclui alguém, e não como alvo. Isso não faz dele ou dela “um agressor”: muitas vezes entra na onda por medo de ficar do outro lado.
Se você descobrir, evite humilhar ou aplicar um castigo exemplar. Pergunte o que aconteceu e como ele ou ela acha que a outra pessoa se sente. Peça que ele ou ela repare o que fez (um pedido de desculpas, sair de um grupo onde zoam alguém) e avise a escola que você está ciente e quer trabalhar em conjunto. A própria Lei 13.185 orienta evitar, sempre que possível, a punição, privilegiando a responsabilização e a mudança de comportamento.
Escolha um momento tranquilo, sem telas no meio: no carro, cozinhando ou caminhando. Comece pelo que você notou, não por uma acusação, e escute mais do que fala. O mais importante é que ele ou ela saiba que contar não vai render castigo: você não vai tirar o celular por causa disso.
Algumas frases que ajudam:
Se não quiser falar naquela hora, não insista. Diga que a porta continua aberta e tente de novo outro dia. Às vezes a criança ou o adolescente só conta na terceira tentativa, ou por mensagem.
No Xoul, cada relatório traz uma ideia para conversar. É uma sugestão concreta, pensada para a idade e o momento dele ou dela, para você começar a conversa sem mencionar as mensagens nem pedir para vê-las. A equipe do Xoul inclui profissionais de psicologia.

A escola só pode agir sobre o que sabe, e agir é dever dela. Peça uma reunião com a professora, o professor ou a coordenação pedagógica, leve por escrito o que aconteceu e desde quando, pergunte quais medidas serão tomadas e combinem um prazo de retorno. Evite falar direto com a família do outro aluno: costuma piorar as coisas.

O que diz a lei no Brasil:
Leve a sério, sem entrar em pânico. Se seu filho ou sua filha contar que alguém ameaçou machucar outras pessoas, ou que viu armas ou um plano, avise a escola no mesmo dia. Se o risco parecer imediato, ligue 190. Não encaminhe ameaças que circulam nos grupos: mostre para a escola ou para a polícia.
Agradeça por ele ou ela ter contado: muitas vezes, quem avisa é um colega. E se você perceber que seu filho ou sua filha passa muito tempo em fóruns ou grupos que celebram a violência, não reaja apenas proibindo. Pergunte o que ele ou ela encontra ali e o que chama a atenção, e busque apoio na escola ou com um profissional de saúde mental.
Se seu filho ou sua filha sofre bullying ou violência na escola, você não precisa enfrentar isso sem apoio: há canais gratuitos para denunciar, para conversar e para pedir orientação. Em caso de risco imediato, ligue 190 (Polícia Militar) ou 192 (SAMU).
Se o bullying continuar pelo celular, o guia sobre cyberbullying: o que é, como afeta e o que fazer em casa explica como guardar provas e denunciar nos aplicativos. Você também pode ler como identificar o cyberbullying.
Boa parte da vida social da escola continua nos grupos de WhatsApp da turma. O Xoul ajuda você a entender como seu filho ou sua filha está ali, sem que você leia as conversas. Com o consentimento dele ou dela, você conecta o WhatsApp com um QR code e recebe relatórios de bem-estar emocional, Novidades e uma ideia para conversar.
Para entender melhor como funcionam os grupos e o que acontece neles, leia nosso guia de WhatsApp para pais e mães de adolescentes. Para ver como é um relatório, confira como o Xoul funciona. O primeiro relatório é grátis e chega em cerca de 10 minutos: baixe o Xoul.
Observe três coisas: se se repete, se é intencional e se há desequilíbrio de poder (vários contra um, alguém mais velho ou mais popular). Uma briga entre amigos que passa em poucos dias faz parte de crescer. Se já dura semanas ou se seu filho ou sua filha está com medo, deixou de ser só uma briga.
É melhor não fazer isso diretamente. Costuma aumentar o conflito e deixa seu filho ou sua filha numa posição desconfortável. O recomendado é ir pela escola, que tem o dever de intervir e de conversar com todas as famílias envolvidas.
Peça a resposta por escrito e uma reunião com a direção. Se nada mudar, você pode procurar a Secretaria de Educação do seu município ou estado e o Conselho Tutelar. Enquanto isso, cuide do seu filho ou da sua filha: deixe claro que você acredita no que ele ou ela contou e que ninguém vai enfrentar isso sozinho.
O Xoul não envia avisos imediatos. Se nas conversas de WhatsApp houver sinais de zoação, xingamentos ou exclusão, isso pode aparecer no relatório ou nas Novidades, com uma sugestão de como acompanhar. O Xoul não mostra as mensagens nem analisa imagens, e precisa do consentimento do seu filho ou da sua filha.
Com o Xoul, você recebe relatórios privados sobre riscos, emoções e momentos importantes, sempre com um olhar respeitoso.

