Em 27 de março, um estudante de 18 anos atacou uma inspetora com uma arma branca em uma escola de Calama, no Chile. Três dias depois, um adolescente de 15 anos entrou no pátio de uma escola em San Cristóbal, na Argentina, e atirou. Duas pessoas morreram. Dezenas ficaram feridas. E, nos dias seguintes, mais de 60 escolas em 14 regiões do Chile suspenderam as aulas por causa de ameaças parecidas.
Diante desses fatos, a reação mais compreensível é o choque. A segunda, mais urgente, deveria ser a pergunta: o que podemos fazer?
Porque a resposta, apoiada por anos de pesquisa, é que muito disso pode ser prevenido. E hoje existe um app que identifica a tempo sinais e riscos.
Um fenômeno que tem nome e funciona em rede
As investigações feitas depois dos ataques na Argentina e no Chile apontam para o que órgãos de segurança e instituições acadêmicas documentam há anos: por trás desses fatos existem comunidades digitais transnacionais que glorificam a violência escolar (True Crime Community), recrutam ativamente adolescentes e atuam em plataformas de uso diário, como Discord, Telegram, TikTok e jogos online.
Na Argentina, a Procuradoria-Geral já tinha identificado 7 casos de violência extrema associados a esse fenômeno antes do tiroteio de San Cristóbal. O adolescente envolvido tinha começado a planejar o ataque em dezembro de 2025, quatro meses antes de executá-lo, em comunidades digitais que o incentivaram e o acompanharam nesse processo.
Não estamos diante do problema de um país específico nem de uma geração especialmente violenta. É um fenômeno sistêmico, amplificado por algoritmos, que pode alcançar qualquer criança ou adolescente que encontre nesses espaços o que não encontra no seu círculo mais próximo: pertencimento, identidade e reconhecimento.
O que a ciência diz sobre prevenção
Segundo o National Threat Assessment Center do Serviço Secreto dos Estados Unidos, 100% dos autores de ataques em escolas apresentaram comportamentos observáveis antes do ataque. Em 80% dos casos, a pessoa tinha sido vítima de bullying na escola. E em 81% dos casos, pelo menos uma pessoa próxima sabia do plano.
Este último dado é o mais importante: na grande maioria dos casos, alguém sabia. Um colega, um professor, um familiar. E nem sempre essa pessoa teve as ferramentas ou o ambiente para fazer algo com essa informação.
A radicalização não é uma ruptura repentina. É um processo gradual, com etapas observáveis: uma sensação de ressentimento acumulado, a busca por comunidades que validem esse mal-estar, a exposição progressiva a conteúdos que glorificam a violência, o planejamento. Um processo que, em cada uma dessas etapas, pode ser interrompido. E isso muda tudo.
As evidências também identificam com clareza os fatores que protegem os adolescentes: vínculos familiares sólidos, conexão com adultos significativos no ambiente escolar, pensamento crítico, acesso oportuno a apoio em saúde mental e ambientes em que se sintam seguros para falar. Nada disso é alheio ao que as instituições de ensino já fazem, ou podem começar a fazer com mais ferramentas.
O desafio de ver os sinais a tempo
A doutora Francisca Salas, da Universidad Andrés Bello, formulou isso com precisão em uma análise publicada depois dos fatos no Chile: “os sinais, em muitos casos, estão lá, mas, como sociedade, ainda temos desafios para lê-los e integrá-los”.
Parte desse desafio é estrutural. Comportamentos preocupantes às vezes são confundidos com uma “rebeldia” adolescente normal. Os sinais digitais acontecem em espaços que os adultos não veem. E a fragmentação das responsabilidades entre escola, família e sistema de saúde dilui a capacidade de resposta.
A outra parte do desafio é tecnológica. Uma parte significativa da vida emocional e social de adolescentes acontece hoje no mundo digital, em conversas e comunidades que os adultos de referência geralmente não conhecem nem conseguem acompanhar.
Foi para isso que desenvolvemos o Xoul
No Xoul, acreditamos que as instituições que trabalham com crianças e adolescentes merecem ferramentas à altura desse desafio.
Desenvolvemos uma tecnologia que analisa de forma privada e respeitosa o comportamento digital de crianças e adolescentes, identifica mudanças emocionais, sinais de alerta e situações de risco, e permite avisar a tempo os adultos de referência, sem expor conversas nem invadir a privacidade. Tudo com a supervisão de profissionais de saúde mental.
Já trabalhamos com famílias e conseguimos identificar e avisar a tempo sobre situações em que se planejavam encontros para agressões físicas, bullying e abuso.
Agora queremos colocar esta ferramenta também à disposição das escolas, porque entendemos que a prevenção é uma responsabilidade compartilhada entre as famílias, as instituições de ensino e os órgãos do Estado.
Se você dirige uma instituição de ensino, trabalha com políticas públicas para a infância ou a adolescência, ou simplesmente quer explorar como o Xoul pode contribuir com a sua comunidade, adoraríamos conversar.
Porque a pergunta não é se isso pode voltar a acontecer. A pergunta é o que fazemos, a partir de hoje, para acompanhar melhor.
Conte com o Xoul.
Com o Xoul, você recebe relatórios privados sobre riscos, emoções e momentos importantes, sempre com um olhar respeitoso.

