Assim como em outras áreas e setores, o futuro da inteligência artificial e da tecnologia não pode ser construído sem abrir as portas para meninas, adolescentes e mulheres.
Mas os dados ainda contam outra história. Segundo a UNESCO, as mulheres são menos de 30% das pessoas que trabalham com tecnologia, e só 22% nas funções ligadas à IA. Essa desigualdade não nasce na universidade: começa muito antes, nas mensagens que meninas e adolescentes recebem sobre o que é “coisa delas”. E hoje, com a IA entrando no dia a dia por meio de chatbots, redes sociais e aplicativos da escola, o acompanhamento em casa se torna fundamental.
Diferentes pesquisas chegam à mesma conclusão: por volta dos 6 ou 7 anos, muitas meninas já começam a sentir que “as coisas de tecnologia e ciência” não são para elas. Não porque alguém proíba de forma explícita, mas porque a conversa ao redor delas atribui esses interesses a outras pessoas.
Depois, essas desigualdades se reforçam em várias camadas:
Por isso, dar nome ao problema e identificá-lo é o primeiro passo para mudá-lo.
A inteligência artificial entrou na vida de meninas e adolescentes de forma rápida e pouco debatida. Elas usam chatbots para as tarefas da escola, geram imagens com ferramentas como as que já vêm nas redes sociais, falam com assistentes de voz e às vezes até criam “vínculos” com companheiras virtuais.
Aqui aparecem desafios específicos para as meninas:
A mudança começa no jeito como falamos. Evitar frases como “melhor deixar seu pai resolver” diante de um computador. Mostrar curiosidade quando ela testa uma ferramenta nova. Perguntar o que ela descobriu quando usa IA para uma tarefa, sem julgar antes.
A diferença entre “usar” tecnologia e “fazer” tecnologia é enorme. Propor pequenos projetos (criar uma história com uma IA, programar um site sobre um tema de que ela goste muito, editar um vídeo) transforma as meninas em produtoras, e não só em público.
Poucas meninas conhecem Joy Buolamwini (pesquisadora de vieses em algoritmos), Fei-Fei Li (pioneira da visão computacional) ou as criadoras argentinas, mexicanas e espanholas que estão construindo IA hoje. Um podcast, um documentário ou uma palestra TED podem abrir um mundo. É uma conversa, não uma aula.
Quando uma IA responde algo que reflete estereótipos de gênero, use isso como ponto de partida. “Você acha que essa resposta está certa? O que está faltando?” A alfabetização crítica em IA não é para depois: é para agora.
A adolescência tem um ingrediente-chave: a necessidade de ter espaços próprios. Acompanhar uma adolescente na vida digital não significa olhar tudo o que ela faz, e sim estar disponível quando algo a incomoda, a confunde ou a assusta. Os apps de acompanhamento parental, como o Xoul, podem ajudar a perceber riscos emocionais e de segurança sem ler cada mensagem, cuidando da privacidade dela.
Com que idade posso começar a apresentar a IA para minha filha?
Antes dos 9 anos, o foco deveria ser a brincadeira criativa (histórias, desenhos com IA, robótica básica), sempre com acompanhamento. Entre os 10 e os 13, ela pode começar a usar chatbots com supervisão e conversas sobre limites. A partir dos 14, já há espaço para ela criar projetos próprios. Recomendamos acompanhar todas essas etapas com o Xoul.
Minha filha já usa o ChatGPT para as tarefas. Devo me preocupar?
Não necessariamente. O importante é saber se ela usa para pensar melhor ou para não pensar. Acompanhe: revise com ela uma resposta do chatbot e pergunte o que ela acrescentaria ou mudaria. Isso transforma uma ferramenta passiva em um recurso de aprendizagem.
Como proteger minha filha de deepfakes ou da violência digital sem isolá-la?
Converse abertamente sobre o que são deepfakes, como identificá-los e o que fazer se ela vir algum circulando sobre ela ou sobre alguém próximo. Conheça os caminhos legais do seu país (na Argentina e no México há marcos legais específicos). E deixe claro que, aconteça o que acontecer, ela pode contar com você sem ser julgada.
Vale a pena minha filha aprender a programar mesmo que ela não siga uma carreira em STEM?
Sim. Programar, entender como funciona uma IA ou como os algoritmos são treinados é hoje uma alfabetização básica, como ler e escrever. Vai ser útil em qualquer profissão que ela escolher.
Mudar a história das meninas na tecnologia não é tarefa de uma família só, mas começa em cada casa. Com uma conversa diferente, com uma referência compartilhada, com uma ferramenta que desperta a curiosidade em vez de apagá-la. E com adultos que acompanham com respeito e confiança.
Com o Xoul, você recebe relatórios privados sobre riscos, emoções e momentos importantes, sempre com um olhar respeitoso.

